domingo, 24 de março de 2013

Respiração

Menina,
não pense
em palavras.

 Respire
 fundo
 não ligue
 pra existência
 expira imagens superficiais ...

 Tenha calma,
 no ritmo,
 relaxamento,
 diminuindo...

 não pensa,
 esqueça da vida
 se não ela te leva
 e não te devolve jamais

sexta-feira, 8 de março de 2013

Qual a culpa das flores?

Dia 8 de março. Enquanto muitas mulheres agradecem o carinho recebido através de flores, chocolates, bilhetes carinhosos, outras reagem dizendo que é um dia de luta contra a histórica desigualdade. Entre os dois grupos nota-se que há uma necessidade extrema de ataque, principalmente entre as "guerreiras" contra as mulheres "submissas", que supostamente se calam o ano inteiro e se acomodam com a homenagem anual.

Em primeiro lugar, nada mais justo do que ouvir a opinião do gênero feminino nesta data, seja ela qual for. Entretanto, não confio em alguém incapaz de ouvir e respeitar a opinião do outro. Caramba, se você realmente se sente indignada pela condição feminina na sociedade e se sente apta para lutar por uma outra realidade, que maravilha! Mas, se você adora receber um poema em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e se sente prestigiada, porém não tem vontade de se engajar na luta feminista...? Você é inferior? Claro que não. Você também merece ser ouvida, respeitada e valorizada.

Nem todo mundo é obrigado a agir da mesma forma. Ainda bem que existem pessoas diferentes, que se manifestam livremente. Chego a ter calafrios quando recebo e-mails de homenagem ao Dia Internacional da Mulher em que o "presente" é um desconto em uma compra ou ao ver uma companheira expondo a bunda na propaganda do motel no vidro traseiro - é claro... - do ônibus. Porém, faço questão de frisar: quem sou eu para atacar a loura gostosa que não se incomoda em ganhar o dinheiro no comercial? Quem sou eu para criticar a amiga que aproveitou o dia de hoje para comprar algo na promoção? Não sou ninguém, aliás, não somos ninguém.

Por favor, antes de saírem desprestigiando o outro, enxerguem a si mesmo. Vejam se estão fazendo o que de fato acreditam. Eu, pelo menos, adoraria estar na rua homenageando as 130 operárias que morreram carbonizadas em 1957 nos Estados Unidos, a minha musa Clara Nunes, Rosa de Luxemburgo, Simone de Beavouir, Nina Simone, Elis Regina, Clarice Lispector... e tantas outras, que a sua maneira, me fazem ter um orgulho enorme em ser mulher. Mas não é por isso que vou queimar meus sutiãs, sair desrespeitando as amigas que não têm o mesmo desejo de ir às ruas e nem queimar as flores do jardim. Ser mulher é ser muitas em uma. Tornar-se mulher é acolher o outro, o diferente, embalar e levar no colo. Agora, chega. Vou colocar o girassol no cabelo e lutar pelo que eu acredito.